Resumo
Esta segunda parte vai debruçar-se sobre uma parte da Ásia extraordinariamente contraditória na sua identidade e definição, a começar pela delimitação das suas fronteiras convencionais (adentro da Grande Ilha Mundial), face aos outros continentes: Europa e África.
A situação é tanto mais evidente quanto mais se tem verificado uma cada vez maior progressão da influência europeia no período contemporâneo, seja a nível cultural, político ou económico, o que não constitui novidade, se considerarmos a presença russa, a norte, dos Urais ao Pacífico.
Durante a guerra fria a tendência anterior acentuou-se com inclusão da Turquia no dispositivo da OTAN, o mesmo acontecendo após o fim da guerra-fria com outras iniciativas em curso: alargamento da UE à Turquia e a definição de uma política de "boa vizinhança" para os actores situados na sus periferia; influência da OSCE; extensão da actividade da OTAN até ao Iraque, Afeganistão, ...
Esta é uma Ásia perméavel à influência vinda do Ocidente, integrada em espaços culturais, políticos e económicos que não se circunscrevem na dimensão regional asiática.
Ao contrário da Ásia Oriental e Meridional superpovoadas (abundante em recursos hídricos provenientes das monções), a Ásia Ocindental, Central e Setentrional é muito menos habitada e carente, na generalidade, de recursos hídricos, mas valorizada, em contrapartida, em recursos minerais, especialmente energéticos (gás e petróleo).
Enquanto que a Ásia Oriental e Meridional são responsáveis pela pressão sobre o consumo no Novo Grande Jogo da Energia, à Ásia Ocindental, Central e Setentrional cabe essencialmente a responsabilidade da produção.