Sumário
1.Área metropolitana de Lisboa : que estratégias? / Rui Barreiros Duarte
2.Filantropia e arquitectura: da 1.ª República ao Estado Novo (1880-1920). / Andreia Galvão e José Ribeiro Mendes
3.Técnicas de construção da época da 1.ª República: memória arquitectónica revisitada e activação patrimonial na Golegã. / Luís Mota Figueira
4.Sonho de J. Taborda de Magalhães, projecto de M. Ventura Terra: Colónia da Sineta, Caxias 1910. / Alexandra de Carvalho Antunes
5.Igreja de Nossa Senhora da Quietação das religiosas descalças da regra de St.ª Clara. / Hilda Moreira de Frias
6.Casas a norte: as HE num processo de continuidade (habitações económicas - Federação de Caixas de Previdência). / Maria Tavares
7.Resor house project collage (1939), a representação da ideia de projecto e construção. / Ricardo Caetano de Freitas
8.O contributo das soluções de controlo solar para a sustentatibilidade do edificado. / Alberto Reaes Pinto e Carlos Oliveira
9.Et maintenant le désir: 4 questões sobre o lugar hoje. / Paulo Brito da Silva
10.Daciano da Costa: um caso de estudo sobre a importância do ensino de desenho em arquitectura e em design. / Ana Moreira da Silva
11.Incertezas, nebulosas e outras que tais. / Elisa Bernardo
12.Why is it important to achieve a representative participation in the debate of our cities? / Cecília Delgado
13.Castro Marim: o castelo e o forte como elementos estruturantes do tecido humano. / Liliane Nogueira Fragata e Alexandra de Carvalho Antunes~
14.Actuações humanas na paisagem. / Patrícia Diogo
15.A arquitectura como A-POC. / César Alexandre Gomes Machado Moreira
16.Louvain-la-Neuve, urbanismo e arquitetura, persistência de valores fundamentais. / Sérgio Infante
Resumo
Aos conteúdos que integravam o ensino da Arquitectura têm vindo a ser acrescentadas preocupações didácticas que muito oportunamente contemplam um renovado olhar sobre o ambiente, a sustentabilidade e a responsabilidade social e profissional dos arquitectos.
Destacamos a reabilitação funcional e o incremento do conforto ambiental das edificações antigas, estabelecendo não só normas quantitativas e qualitativas técnicas, mas implicando também uma reflexão sobre a compatibilidade do uso dos espaços com o valor histórico-cultural dos edifícios; a utilização de materiais e técnicas modernas em edifícios antigos e a utilização de técnicas tradicionais na arquitectura contemporânea; a preocupação com a segurança de pessoas e bens, estudando dispositivos a prever face à possibilidade de ocorrência de catástrofes naturais, incêndios, inundações, tremores de terra, ciclones.
Já no "Relatório e Recomendações sobre a Formação em Arquitectura", adoptado pelo Comité Consultivo das Comunidades Europeias (Maio 1989) se referia no ponto VII - Especialização: "A especialização em Arquitectura é cada vez mais útil, podendo ter por base uma investigação adequada. Todos os estudantes deveriam ser sensibilizados para este campo de estudos, podendo alguns deles orientar a sua carreira futura para especializações decorrentes da sua qualificação como Arquitectos." O presente Processo de Bolonha isso tem vindo a permitir e encorajar.
A área da recuperação, para além da exigência do domínio da metodologia do projecto arquitectónico e dos conhecimentos gerais tecnológicos tem especificidades próprias complementares, desde o posicionamento ético perante a herança cultural até aos materiais e técnicas de reparação, de conservação e de preservação, passando pela própria organização do estaleiro e condução dos trabalhos em obra. O actual momento económico torna incontornável esta área de actuação.
E cada vez mais os jovens arquitectos devem ser capazes de responder a solicitações concretas em ambientes geográficos e culturais diferentes daqueles em que tem as suas vivências habituais, e poder mesmo vir praticar a profissão de forma continuada em países estrangeiros. Uma boa percepção do mosaico territorial e social que constitui a Europa será básico para aprender a profissão e para isso muito tem contribuído o Programa Erasmus.
A multiplicidade de facetas correspondentes a diferenças culturais que se manifestam em problemas concretos que terão que resolver, vão das especificidades na formulação da encomenda e da definição do programa até ao domínio de saberes alargados. A nossa Universidade, através das suas Faculdades de Arquitectura e Artes, e modestamente através desta revista, para isso pretende contribuir.
(Sérgio Infante)